Tempo de tela e saúde mental em menores de 18 anos
DOI:
https://doi.org/10.35954/SM2025.44.2.10.e402Palavras-chave:
ansiedade, depressão, desenvolvimento infantil, internet, videogames, obesidade, saúde mental, sono, tempo de tela, transtorno do espectro autista, transtornos mentaisResumo
Introdução: Na última década, o tempo de exposição às telas aumentou exponencialmente, tornando-se parte do cotidiano de crianças e adolescentes. Esse fenômeno oferece oportunidades educacionais e de comunicação, mas também levanta preocupações quanto ao seu possível impacto na saúde mental. A infância e a adolescência são fases críticas do desenvolvimento, nas quais o uso excessivo de dispositivos tem sido associado a ansiedade, depressão, distúrbios do sono e problemas de comportamento, bem como a atrasos no desenvolvimento da linguagem e maior risco de obesidade nas crianças mais novas. Embora a literatura também reconheça os benefícios do uso regulado e supervisionado, como o acesso a recursos educacionais e a comunicação em contextos de isolamento.
Objetivo: Analisar as evidências científicas publicadas entre 2015 e 2025 sobre a relação entre o tempo de tela e a saúde mental em menores de 18 anos.
Metodologia: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados MedLine/PubMed e LILACS, em inglês, espanhol e português. Foram aplicados filtros de idade (<18 anos), tipo de estudo (revisões sistemáticas e bibliográficas) e período (2015-2025). Foram selecionados 10 artigos relevantes para a análise.
Discussão: As evidências indicam que a exposição precoce e excessiva às telas está associada a efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional de crianças pequenas, bem como a sintomas de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, baixo desempenho escolar e problemas de comportamento em adolescentes. Além disso, foram identificados riscos relacionados ao uso problemático da internet e ao cyberbullying. No entanto, também se destacam possíveis benefícios do uso regulado, como o acesso a recursos educacionais, a comunicação e a redução dos sentimentos de solidão em contextos de isolamento.
Conclusões: O impacto do tempo de tela não pode ser considerado, por si só, benéfico ou prejudicial, mas depende da quantidade de horas, da qualidade do conteúdo, do contexto sociocultural e da supervisão adulta. São necessários mais estudos longitudinais para estabelecer relações causais claras e compreender melhor como as variáveis contextuais influenciam os efeitos do tempo de tela sobre a saúde mental na população pediátrica.
NOTA: este artigo foi aprovado pelo Comitê Editorial.
Recebido para avaliação: agosto de 2025.
Aceito para publicação: outubro de 2025.
Correspondência: 8 de outubro de 3020. C.P. 11600. Tel.: (+598) 24876666 ramal 1037. Montevidéu, Uruguai.
E-mail de contato: afrodriguez@dnsffaa.gub.uy
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