Por que psicologia médica?
DOI:
https://doi.org/10.35954/SM2005.27.1.7Palavras-chave:
Psicologia; Prática Médica; Relacionamento Médico-paciente; Saúde.Resumo
Os conceitos, às vezes intangíveis, de saúde e doença, tiveram e terão um significado especial dependendo do tempo, do momento histórico, das conotações sociais e culturais de cada sociedade, além dos inúmeros avanços, que a partir do campo científico modificaram "estar doente" para sempre.
A proposta visa a uma reflexão que nos permita compreender a evolução do vínculo intrincado entre ambos os termos (saúde e doença), na prática médica, com o que isto implica para todos aqueles que estão envolvidos, seja como pacientes, membros da família ou profissionais de saúde. Há muitos elementos a priorizar, mas talvez a compreensão do "psicológico" e de todos os aspectos que são mobilizados na situação de doença seja o que deu origem à importância da presença do psicólogo médico em equipes multidisciplinares de atendimento. A constatação de que as complexidades não se limitam a uma abordagem psicológica clássica também levou a uma posição que tenta integrar os aspectos biomédicos com os aspectos psicossociais.
O campo de trabalho agora é visto como multi-focal e multi-pessoal, na medida em que o paciente só pode ser plenamente compreendido e abordado se ele ou ela for percebido como parte de uma situação única.
Nesta concepção, aquele elo médico-paciente, onde o profissional era o depositário absoluto da responsabilidade pela "cura", deu lugar a uma situação em que o paciente, através de um comportamento ativo, torna-se parte essencial do processo. Entretanto, neste ponto, vale a pena notar que somente um vínculo de confiança com o profissional de tratamento facilitará a adesão adequada ao tratamento e aos comportamentos de saúde por parte da pessoa "doente".
A dimensão familiar, presente tanto no real quanto no imaginário em ambos os protagonistas da situação, deve ser levada em conta em toda a sua importância ao considerar a situação atual da doença e as possibilidades de sua evolução.
Por último, mas não menos importante, a estrutura institucional em que ela ocorre varia de um sistema de saúde para outro, pelo menos em nossos países em desenvolvimento. Deste ponto de vista, o multiemprego, a falta de tempo, de recursos econômicos e/ou técnicos, onde a relação médico-paciente-família é enquadrada, necessariamente afetam a dinâmica afetiva do paciente, de sua família, do pessoal de saúde e, portanto, o processo de "cura".
Todas estas variáveis, como fortalecer aquelas que promovem a adesão do paciente ao tratamento e neutralizar e/ou desbloquear aqueles fatores que "sabotam" o bom desenvolvimento do tratamento, é o campo em que atua a PSICOLOGIA MÉDICA. O constante desenvolvimento desta nova especialidade permitiu, além da realização de seu objetivo fundamental, que é beneficiar o paciente, tornando as instâncias de tratamento mais eficazes e toleráveis, o enriquecimento do conhecimento psicológico e do trabalho médico, assim como a obtenção de uma maior compreensão dos fatores de risco que o profissional de saúde deve enfrentar, promovendo assim um comportamento preventivo.
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Referências
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