Manejo de drogas perigosas e suas medidas de biossegurança no Sistema de Saúde Uruguaio
DOI:
https://doi.org/10.35954/SM2019.38.2.3Palavras-chave:
Citostáticos /administração & dosagem; Contenção de Riscos Biológicos; Educação em Enfermagem /estatística & dados numéricos; Fatores Biológicos /efeitos da radiaçãoResumo
Objetivos: Identificar as medidas de biossegurança adotadas e utilizadas pela equipe de saúde e conhecer a percepção de riscos e as dificuldades dos mesmos no manuseio de drogas perigosas no Sistema de Saúde Uruguaio. Métodos: Foi realizado um estudo misto com profissionais de saúde que lidam com drogas perigosas em oito instituições de saúde da área metropolitana de Montevidéu, Uruguai. A fase quantitativa foi um estudo transversal observacional, exploratório e a fase qualitativa utilizou a técnica de grupo focal com análise de conteúdo. Do total de 188 profissionais e técnicos de saúde das oito instituições de saúde envolvidas no manejo de medicamentos perigosos, 145 participaram do estudo, incluindo 76 (52,4%) auxiliares de enfermagem, 32 (22,1%) auxiliares de enfermagem, 27 (18,6%) auxiliares de serviço, 8 (5,5%) farmacêuticos químicos e 2 (1,4%) auxiliares de farmácia. Dos 145 participantes, 71 (49,0%) eram de instituições públicas e 74 (51,0%) de instituições privadas. A coleta de dados quantitativos foi realizada por meio da técnica de observação estruturada e não participativa. Para conhecer a percepção de riscos e dificuldades no manuseio de drogas perigosas de acordo com os profissionais de saúde, foi utilizada a técnica de grupo focal. Os dados foram armazenados e analisados no Microsoft Office Excel 2007. Foi realizada análise descritiva com frequência relativa e absoluta das variáveis. Para os dados qualitativos, a análise temática foi realizada com base em categorias previamente elaboradas, ou indutivamente a partir de todas as respostas produzidas no grupo. Resultados: Observou-se que, nas oito instituições de saúde, públicas e privadas, as pessoas que recebem e armazenam medicamentos perigosos são indistintas, com formação em enfermagem, química farmacêutica, auxiliares de enfermagem e/ou auxiliares de farmácia, dependendo da disponibilidade, e nem todas as pessoas que realizam essa tarefa utilizam equipamentos de proteção individual. Durante o preparo de drogas perigosas nem todas as instituições possuem equipamentos de proteção individual adequados, apenas 12,5% das instituições possuem batas exclusivamente destinadas à quimioterapia, 62,5% possuem gabardinas e 25,0% de gabardinas, comuns e de tecido. Nenhuma das oito instituições tem luvas de quimioterapia. A preparação de medicamentos perigosos é realizada em uma instituição pelos farmacêuticos químicos e enfermeiros licenciados, em outra das oito pelos auxiliares de farmácia e nas seis restantes pelos enfermeiros e/ou auxiliares de enfermagem licenciados. A administração de medicamentos perigosos é de responsabilidade dos enfermeiros licenciados e auxiliares de enfermagem no total das instituições participantes do estudo. Os químicos farmacêuticos em sua totalidade cumprem todas as atividades dos diferentes processos em 100,0%. Dificuldades na manipulação de drogas perigosas, 2. Percepção de Riscos, 3. Realizações na Manipulação de Drogas Perigosas. Através dos relatórios, foi possível identificar dificuldades relacionadas com os recursos humanos, materiais e infra-estruturais, bem como insuficiências em termos de conhecimentos, ausência de protocolos, insuficiências na formação, falta de apoio institucional e ausência de um quadro regulamentar relacionado com a gestão das drogas perigosas a nível nacional. Os manipuladores de drogas perigosas reconhecem os riscos e estão conscientes de que estão sempre presentes. Nos relatos, verificou-se que as realizações caracterizadas pela autoformação eram um esforço bastante pessoal. Em termos de recursos materiais e infra-estrutura, o pessoal conquistou ao longo dos anos, negociando com as instituições. Conclusões À luz dos objetivos estabelecidos neste estudo, conclui-se que não há conformidade com as recomendações das normas internacionais. A necessidade de Políticas Públicas no país, com um marco regulatório que regule todas as Instituições de Saúde, possibilitaria uma mudança na situação atual que poderia ser observada, diminuindo os possíveis riscos aos quais o pessoal de saúde está exposto.
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